Eu não saberia descrever 2017. Certamente tiveram bons momentos, mas também tiveram momentos bem estressantes. O segundo semestre foi uma verdadeira bosta e tudo por culpa da faculdade. Claro que a faculdade não é a única coisa que rege minha vida, mas visto que eu passo a maior parte do meu dia lá dentro ou com ela dentro da minha cabeça, fica difícil não tomar a graduação como fator determinante da minha vida.

Além de uma disciplina muito pesada, que a essa altura eu não sei se conseguirei ser aprovado, a maior parte das aulas se consistia em estar com professores incapazes de ensinar de forma decente. Às vezes tão incapazes que nem mesmo às aulas eles compareciam. E tudo isso foi fator determinante para um stress cada vez mais crescente, atrelado a uma vontade enorme de passar o dia inteiro dormindo e dizer: que se foda.

Se contarmos com esse texto, já choraminguei três vezes na internet esse ano. Não por acaso, todas as vezes ocorreram faltando menos de um mês para o fim do ano letivo.

A primeira vez foi essa:

E a segunda foi essa aqui:

Se você aí entrar no link desses tweets, vai abrir uma thread de uns 5 tweets aninhados uns nos outros. E no último deles eu ainda falei que “se bobear eu vou dar uma sumida da internet pra diminuir o ritmo em todos os sentidos que me forem possíveis”. Em 2013 eu prometi exatamente a mesma coisa e acho que eu até consegui passar menos tempo on-line, mas agora que eu tenho a internet no meu bolso – coisa que eu não tinha antes – o esforço é muito maior.

Como se não fosse o bastante ficar reclamando na internet, hoje também desabafei com minha namorada, que além de ser a criatura mais incrível que já pisou nesse planeta, é também meu Muro das Lamentações. Mas hoje foi diferente. Hoje as reclamações sobre a vida não foram premeditadas e a primeira coisa sobre a qual eu reclamei sem parar quando eu abri a boca foi sobre eu mesmo.

E pela primeira vez eu externalizei que eu sou um cara bagunceiro, desorganizado, enrolado (no sentido de ser procrastinador e me atrasar sempre) e chato. Eu preciso muito mudar esse meu jeito se eu quiser sobreviver ao mundo lá fora e atingir todo o potencial que eu acredito ter mas que eu sou preguiçoso demais para alcança-lo, como meu professor de geografia do ensino médio me disse uma vez numa conversa bem sincera.

Eu não vou escrever uma lista de metas nem nada parecido com uma lista de resoluções para o ano novo. Eu só queria deixar registrado aqui que minha ideia para esse texto era contar sobre minha vontade de passar por um auto-aperfeiçoamento em 2018, mas aí eu lembrei de uma cena de Clube da Luta em que Tyler Durden diz que “auto-aperfeiçoamento é masturbação”, ou seja, algo só para inflar seu próprio ego. Por outro lado, auto-destruição… isso sim deve desfazer e reconstruir sua personalidade e auto-estima como soda cáustica na pele, penso eu.

(Texto escrito na madrugada de 25/11/2017 e programado para ir ao ar no instante em que eu saísse de férias.)

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