(…ou “Como ferrei minha graduação”)

Estou na reta final de mais um semestre. Falta apenas um terço do tempo total deste período e enfim entrarei de férias. E depois disso… Bom, depois disso eu tenho ainda uns dois anos e meio até o fim da minha graduação.

Quem me conhece há alguns anos deve pensar eu já me formei. Até o meu eu mais jovem acreditava piamente que eu já estaria com um diploma na mão em 2016. RÁ! Que engano…

Semana passada bateu a bad forte quando percebi que se eu demorar até o final de 2019 para concluir o meu curso, terão sido exatos dez anos desde o fim do Ensino Médio. Dez anos! Já parou pra pensar onde você estava uma década atrás? E já se perguntou onde você quer estar uma década à frente?

Pra falar a verdade, acho que meu futuro era a última coisa que passava pela minha cabeça quando eu tirei essa foto durante uma aula de geografia em que meu professor tinha uma boneca em cima da mesa e usava uma gravata que claramente não fazia parte do seu vestuário padrão.
Pra falar a verdade, acho que meu futuro era a última coisa que passava pela minha cabeça quando eu tirei essa foto durante uma aula de geografia em que meu professor dava aula com uma boneca em cima da mesa e usava uma gravata que claramente não fazia parte do seu vestuário padrão. Saudades, oitava série (mas não muita).

Mas falando sério,

a minha graduação é uma coisa que vem me preocupando desde quando eu senti o primeiro pingo de incerteza sobre minha escolha de carreira, lá em 2010. E hoje, antes de começar a escrever esse texto, eu fiz um gráfico para poder visualizar bem a minha atual situação.

calendario2

Cada linha acima representa um ano de faculdade, começando por 2010. Consequentemente, cada quadradinho representa um mês.

Em amarelo está o período que eu passei fazendo Sistemas de Informação na UFVJM (um ano e meio). Fiquei bastante aliviado quando decidi que aquilo não era pra mim e vim para Belo Horizonte cursar Jornalismo, que está representado no tom de azul mais forte. Durante o meu terceiro período da nova faculdade, decidi que já estava na hora de arrumar um trabalho em período integral (representado pela letra T), então lá fui eu na maior inocência, acreditando que seria fácil estudar de manhã e trabalhar à tarde e à noite, enquanto eu ainda teria que estudar para provas e fazer vários trabalhos de campo, saindo na rua, visitando lugares e entrevistando gente.

Após alguns meses eu já estava me frustrando com a faculdade e com meu emprego, então no comecinho de 2013 eu abandonei o Jornalismo e saí mais uma vez da universidade, afinal “é melhor largar o que me toma dinheiro do que o que me dá dinheiro”, não é mesmo? Burro do caralho.

A essa altura meus pais já deviam estar no auge do desespero, o que eu só consigo entender hoje em dia. Mas vamos continuar a história…

Em abril de 2013 começou um período negro na minha vida, o qual eu não gosto nem de lembrar, mas se eu consigo menciona-lo aqui para quem quiser ler, é porque eu já superei e estou bem. Essa foi uma fase de não conseguir dormir e ter que tomar remédio pra isso; de só trabalhar, voltar pra casa e não ver mais ninguém durante o dia; de todos os dias serem iguais e constantemente solitários; e de ter que responder constrangido pros parentes perguntas sobre como é que iam os estudos… Foi definitivamente a pior época vivida em Belo Horizonte, mas só não foi pior porque foi também uma época de vários amigos de fora me visitarem e de eu fazer passeios com os que moram aqui, tudo isso sem ninguém saber o que se passava de verdade comigo. Na verdade, nem eu mesmo sabia, e só agora vendo de longe é que eu tenho a consciência de que as coisas não estavam muito normais. E sobre aqueles quatro meses em laranja ali no gráfico, aquilo foi só um curso de audiovisual bem meia-boca que eu entrei e nem terminei porque de fato não valia à pena.

No segundo semestre de 2014, onde começa a área verde, eu comecei a frequentar as aulas do curso de Produção Multimídia, pois já havia conseguido a transferência de Jornalismo desde o início do ano. Pois é, eu acreditava mesmo que viraria um produtor audiovisual graças àquele curso e acabei deixando o Jornalismo de lado pois eu demoraria o mesmo tempo para terminar qualquer um dos cursos “então tudo bem”, pensava eu. Só que Produção Multimídia não era nem metade que eu acreditei que seria e aquilo foi me desmotivando cada vez mais ao longo daquele ano, e o que me fez desistir de vez foi a notícia de que ele não existiria mais quando meus calouros – ou seja, a turma abaixo de mim – se formasse. Se for pra ter algum diploma nessa vida, que seja de algo que tenha um mínimo de reconhecimento no mercado e que não me faça ter que explicar e repetir seu nome e significado duas vezes.

Então eu voltei pro Jornalismo

Bom, quase. Quando eu decidi que eu já não tinha mais tempo a perder e que sacrificaria qualquer coisa como um salário no fim do mês (ou a minha sanidade) para colocar minha graduação no topo das minhas prioridades, me matriculei em algumas poucas disciplinas de início de curso que havia deixado para trás, para que assim eu fosse aluno de no máximo duas turmas e não me perdesse entre as aulas. E para que ninguém me deixasse de fora da panelinha por ser um aluno irregular, como vocês devem saber que acontece.

Só que quando eu me matriculei de novo naquelas disciplinas de Jornalismo, eu sabia que estaria lá oficialmente como um aluno de Produção Multimídia, porque eu ainda não tinha feito o requerimento de uma nova transferência, afinal quando eu decidi voltar, o prazo já tinha se encerrado.

O plano era seguir em frente, assistir as aulas referentes ao curso de Jornalismo e fazer um novo pedido de transferência para o primeiro semestre de 2016 (o semestre atual). Porém eu não consegui devido à falta de vagas e hoje continuo fazendo a mesma gambiarra: estar matriculado num curso e assistir aulas de outro. Mas agora eu já fiz o meu pedido para o semestre que vem e, para aumentar minhas chances, farei o vestibular de novo. Pois é, prestarei o vestibular para a faculdade onde eu já estou e para o curso que eu faço atualmente. Nada como a burocracia do sistema, não é mesmo?

E por último, mas não menos importante, são os semestres que ainda tenho pela frente. Eles estão em azul claro e vão no máximo – assim espero – até o final de 2018. Pode parecer muito, mas observando o quadro geral, também falta apenas um terço do tempo previsto. E olhando pra trás, 2010 estava logo ali, então não tenho motivos para me preocupar com essa demora.

Honestamente, eu me culpava bastante por ainda não ter me formado. Várias pessoas que entraram na faculdade comigo já haviam saído dela. Sem contar que a cada dia fora da faculdade eu me sentia mal por isso, mas não tinha ideia do que eu poderia fazer para contornar a situação. Eu nem sequer conseguia ver que eu não estava bem, seja por ter escolhido o curso errado ou por me sentir infeliz e não saber o motivo. Curiosamente foi com o gráfico que eu criei especialmente para ilustrar esse texto que eu percebi que 2013 e 2014 não foram anos muito legais e agora eu me sinto menos mal por tudo que passou.

E eu não poderia deixar de dizer agora que eu estou vivendo a melhor época da minha vida. Há poucas coisas na vida tão boas quanto tomar as decisões certas e estar plenamente consciente disso. Então que venha 2018 e meu diploma junto com ele!

rocky balboa

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