Tucker-And-Dale-posterNão é horrível quando você e seu amigo compram uma cabana abandonada na floresta e, de repente, se vê cercado de adolescentes irritantes que eventualmente acabam morrendo e depois precisa explicar pra polícia que não é por estar sujo e parecer mal encarado que isso faz de você um serial killer?

Pois é justamente sobre isso que “Tucker & Dale Contra o Mal” (Tucker and Dale vs. Evil, lançado em 2010) fala.

Tucker é interpretado por Alan Tudyk (o Steve, O Pirata do filme “Com A Bola Toda” — quem lembra?) e Dale é interpretado por Tyler Labine, (o “paciente zero” do primeiro filme da nova franquia de “Planeta dos Macacos”). Enfim, eles são como Simon Pegg e Nick Frost, que também são uma dupla composta por um cara gordo e um outro cara magro e que são muito bons no que fazem. Mas vamos falar do filme.

A primeira cena é feita em primeira pessoa, como em Bruxa de Blair, e parece meio fora de sintonia com o resto do filme. Um câmera e uma repórter entram num galpão, dão de cara com alguém, ouvem-se gritos e pessoas morrem. Aí entram os créditos e depois vemos aqueles típicos jovens de filmes de terror, com cara de vítima, viajando pela estrada à espera de um final de semana show de bola com altas agitações e pegação com uma galera do barulho.

Como não podia deixar de ser, eles precisam parar no meio do caminho para comprar algumas coisas num armazém velho e dão de cara com a dupla dinâmica do filme. Claro que eles dão um jeito de sair rapidamente de lá, afinal, quem iria querer permanecer por muito tempo num lugar com pessoas como essas?

tucker e dale 1

O filme segue e, lá pelos seus 10 minutos, alguém do grupo de amigos sugere uma nataçãozinha sem roupa no lago à noite. Allison (vivida por Katrina Bowden, que é a Cerie de “30 Rock”) cai do alto de uma pedra e, Tucker e Dale, que estão pescando no mesmo lago, presenciam a cena e vão resgatá-la. A galerinha do barulho acha que os dois “caipiras” estão raptando a menina e é a partir de todo esse preconceito e julgamento precipitado que o filme se desenrola.

Os caras também não ajudam...
Os caras também não ajudam…

O filme segue com cenas típicas e clichês propositais de filmes de terror. A diferença é que ao invés de um grupo de amigos tentando escapar de um sociopata, temos aqui dois grupos, cada um com mais medo que o outro (tudo por causa de um grande mal entendido) e uma suposta vítima frágil, a Allison, que foge do estereótipo, sendo ela nada menos que uma estudante de psicologia que, em certo ponto do filme, tenta fazer uma terapia em grupo com ambos os lados e mostrar que ninguém quer matar ninguém de verdade.

“Gente, vocês tão precisando ficar de boa…”

Mas apesar das diferenças entre “Tucker & Dale Contra o Mal” e os filmes de terror que eles tentam desconstruir, ainda temos um sociopata de verdade no meio da galera. E é por causa dele que, mesmo indiretamente, ainda ocorrem mortes durante o filme, mesmo que todas elas tenham sido acidentais.

Sociopatinha de merda.
Sociopatinha de merda.

O problema é que apesar de a verdade estar sendo esfregada na cara de todos, a polícia também resolve fazer uma aparição-surpresa justamente quando os dois protagonistas tentam sumir com metade do corpo de uma das vítimas que ficou presa num triturador de madeira, o que pode acabar ferrando com eles, como eu disse no início desse texto.

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Sem mais spoilers, encerro essa resenha dizendo que vale muito à pena ver esse filme, principalmente pelas piadas sutis e bobinhas (como aquelas que a gente conta pra um amigo e ficam só os dois rindo silenciosamente), e também pela desconstrução dos esteriótipos, o que também acontece no filme “O Segredo da Cabana”, que é igualmente genial e foi lançado dois anos depois.

Ah, mais uma dica: lembram da cena meio “Bruxa de Blair” que eu falei no começo? Quando o filme acabar, assistam-a de novo que ela volta a fazer sentido. ;)

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