Se você começou a ler pensando que vai encontrar histórias de formatura, adolescentes, pegação e muita putaria, pode desistir porque quando eu fui pra Porto Seguro eu tinha uns 13 anos e estava na companhia dos meus pais.

Aconteceu entre julho de 2003 e outubro de 2005. Lembro disso porque geralmente eu tento assimilar fatos da minha vida com o período escolar em que eu estava. Também me lembro de uns colegas que comentaram da minha tatuagem de henna feita na viagem. (É, você não leu errado. Fiz uma tatuagem de henna mesmo, mas depois eu conto sobre isso.)

Saímos de Belo Horizonte durante a noite e chegamos ao aeroporto de Porto Seguro mais à noite ainda. Não vou me ater a horários porque seria exigir muito da minha memória. A viagem foi ótima, não só por ter sido meu primeiro vôo mas também por eu não ter passado por nenhuma situação que lembrasse a música Avião Brutal do Scat.

Pegamos um táxi, percorremos um trecho de aproximadamente 7km (e eu só sei disso por causa do Google Earth) e chegamos ao Hotel Shalimar. Então continuamos dentro do táxi porque, na verdade, o nosso hotel era o Sunshine. Por causa desse pequeno erro do taxista tivemos que esperar mais um pouco para podermos fazer o check-in e, finalmente, dormir.

sunshine hotel

Pela manhã, fui acordado por meus pais para tomarmos café e irmos à praia. Pensei “será que iremos à praia de carro ou à pé?” mas pra minha surpresa a praia ficava do outro lado da avenida. E eu achando que era bem mais longe porque estava muito escuro quando chegamos e eu nem devo ter me dado ao trabalho de olhar pro lado.

Chegando lá, ganhei mais um achievement: ver o mar. Eu, como um garoto que morou toda vida em Minas Gerais e só tinha saído do estado para visitar os tios no interior (Brasília-DF é mais “interior” que Minas, ora essa), achei muito legal ter aquela primeira experiência. E ao contrário do que muitos capiais fizeram eu não provei a água do mar pra ver se era salgada mesmo, afinal aos 13 anos eu já tinha discernimento do que era idiota ou não (exceto pela tatuagem de henna).

Ficamos algumas horas na praia nos divertindo, conversando, nadando, “pegando onda”, comendo coisas que haviam no quiosque lá perto e voltamos para o hotel. À noite, descubro que nosso quarto tinha TV à cabo. Procurei desesperadamente pelo Cartoon Network pra ver se ainda passavam os mesmos desenhos legais que eu via entre 1995 e 1998. Então achei o canal e fiquei assistindo até a hora do jantar. No outro dia, a rotina iria ser a mesma mas quando eu descobri que estava passando Freakazoid, não teve outra. E nesse primeiro combate pela minha atenção, tivemos uma vitória esmagadora de um desenho animado sobre a praia de Taperapuã.

Outra coisa bastante legal que eu fiz por lá foi visitar Santa Cruz Cabrália, que tem grande importância no cenário do descobrimento do Brasil. Como não prestei muita atenção ao que o guia turístico falou, recomendo que pesquisem sobre isso na Wikipédia ou em sites mais confiáveis.

A gastronomia bahiana – ou aquelas coisas que eles dão pra turista – é sensacional. Experimentei a tal da tapioca, a casquinha de siri da região (já tinha comido antes, mas a receita de Porto Seguro com certeza era diferente) e o melhor prato do mundo que minha querida mãe cozinha até hoje: caldo verde, que é tipo uma sopa só que com requeijão, couve e bacon. Acho que também tem batata na receita, mas isso não é relevante agora. Creio que a melhor coisa de conhecer Porto Seguro foi saber da existência dessa especiaria bahiana.

A história da tatuagem de henna foi a seguinte: estávamos na praia aproveitando o dia quando apareceu um daqueles tatuadores típicos que toda praia deve ter, imagino eu. Ele chegou na maciota dizendo que tinha um catálogo com vários desenhos e me disse pra escolher um que eu achasse legal. Vale lembrar aqui que, mesmo hoje, o principal motivo de eu nunca ter feito uma tatuagem de verdade é que eu sou muito indeciso e que achar a Ilustração Perfeita™ é praticamente impossível pra mim.

Pois bem, eu escolhi uma águia genérica lá e o cara perguntou para os meus pais e para mim se ele poderia apenas iniciar o desenho “só pra ver como vai ficar o traço”. Concordamos e, em poucos segundos, o traço inicial já tinha virado uma asa de águia, sem querer fazer trocadilho com a banda. Quando piscamos o cara tinha terminado o desenho e estava cobrando um preço altíssimo pelo seu trabalho. É impressionante a lábia do sujeito pra tirar dinheiro de turista. O mais impressionante é que a gente ficou se perguntando depois qual foi o momento exato em que tínhamos concordado em fazer o desenho completo.

Dez anos depois eu ainda me pergunto isso.

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