Eis o terceiro repost do Cine Fanático. Leiam o primeiro e o segundo também.

Vitrine do "De Volta Para o Cinema".

Um filme baseado em quadrinhos com temática de video-game. Quer coisa mais nerd que isso? Então adicione um romance adolescente frustrado. Esse é Scott Pilgrim Contra o Mundo, lançado em 2010, dirigido por Edgar Wright e estrelado por Michael Cera no papel de sempre: ele mesmo, o carinha meio nerd, meio hipster e 100% deslocado.

Baseado na HQ de Bryan Lee O’Malley, lançada em 2004, o filme conta a história de Scott, um cara que possui alguns amigos, uma banda de rock na qual é baixista, divide um apartamento com um rapaz chamado Wallace e tem uma namorada legal e frenética chamada Knives.

A trama começa quando Scott sonha com uma entregadora da Amazon chamada Ramona Flowers e então não consegue parar de pensar nela. Decidido a encontrá-la, e ignorando completamente seu relacionamento com Knives, o jovem baixista resolve fazer uma encomenda qualquer pela internet para criar assim uma desculpa de receber Ramona na porta de casa. Nesse momento, descobrimos que Ramona pode se mover por “rodovias subespaciais” e que os sonhos que Scott teve com ela na verdade era apenas um atalho tomado pela garota para que pudesse fazer suas entregas de forma mais rápida. Pois é, acrescente “buracos de minhoca” (wormholes) na história que ela fica mais nerd ainda. Infelizmente não é tão legal quanto parece.

Vilões

Então Scott acaba saindo com Ramona, deixando Kim de lado e transformando a pobre menina abandonada numa maníaca obsessiva de 17 anos. Porém, o rapaz agora deve enfrentar o mundo para ficar ao lado de Ramona. Ou melhor: ele deve enfrentar os sete ex-namorados da garota, sendo cada um deles uma metáfora para uma fase de um game da vida real, com direito a moedinhas de prêmio e socos super-poderosos. Tudo isso, é claro, fazendo parte de um plano do vilão da última fase.

scott pilgrim blam blam dead

A estética do filme é interessante de se ver. Onomatopeias são exibidas a todo momento, movimentos bruscos são pontuados com efeitos sonoros e diversos quadros foram copiados da HQ com perfeição. Mas não são apenas esses elementos que fazem uma boa adaptação.

Confesso que não é um dos meus filmes prediletos, porém a coisa seria muito pior se toda a história do romance ficasse apenas nas metáforas e não saltassem aos olhos do espectador, como por exemplo o “verdadeiro amor” sendo representado por uma katana e o “auto-respeito” se transformando numa arma mais poderosa ainda, deixando a lição sobre o que é realmente importante para um ser humano.

Então, fica aí a dica de mais uma ode à cultura pop, com direito a referências à Seinfeld e jogos 8-bit, mas sem uma história muito profunda.Talvez esse filme seja para pessoas mais novas.Talvez eu esteja me tornando um chato.

É curioso observar como eu estava passando por uma fase amarga na minha vida quando eu escrevi esse texto.

Anúncios