Nunca cumpri uma promessa feita nesse blog tão rápido. No último post eu disse que escrevi alguns textos para um site chamado Cine Fanático. A minha coluna se chamava vertebral De Volta Para o Cinema e até ganhou uma vitrine (essa imagem aí com o Doctor Brown), a qual eu dei uma modificada pra ficar mais bonitinha aqui. Pois bem, fiquem com o primeiro texto da série. Não é uma crítica nem nada do tipo. Na falta de nome melhor, chamarei de “análise”.

Começando hoje a coluna mais nerd do Cinefanático (será mesmo?), falaremos sobre um grande clássico da comédia oitentista: Bill & Ted – Uma Aventura Fantástica (Bill & Ted’s Excellent Adventure, de 1989).

O filme começa com Rufus (interpretado pelo gênio do stand-up George Carlin), um homem que foi enviado do longínquo ano de 2688 para o passado, a fim de ajudar dois amigos a passarem numa prova de história, evitando assim, após uma sucessão de eventos, que o mundo entre em conflito. Complexo? Eu sei que não.

Esses dois amigos, interpretados por Keanu Reeves (Matrix) e Alex Winter (Os Garotos Perdidos), também querem começar uma banda de rock mas, devido tamanha incompetência para tocar qualquer instrumento, estão fadados ao fracasso. Para piorar a situação, Keanu Reeves Ted possui um pai autoritário que o mandará para a academia militar sem pensar duas vezes assim que for confirmada a reprovação na escola. Caso isso ocorra realmente, Bill e Ted irão se separar e o sonho de ter uma banda – assim como o futuro da humanidade – estará perdido. Sim, existe uma ligação entre a banda e a segurança do universo, mas explicarei isso mais na frente e tudo fará sentido. Ou não.

Assim que Rufus chega em sua máquina do tempo (que se parece muito com a TARDIS do Dr. Who) e encontra a dupla para explicar o que está havendo, uma segunda máquina do tempo o interrompe e dela saem outros dois Bill e Ted. Eles são a versão de um futuro não muito distante dos dois amigos e estão ali para contar a eles como esse lance de viagem no tempo é legal. Então, os Bill e Ted originais acabam se convencendo e se juntando a Rufus rumo à primeiro viagem, direto para a Batalha de Austerlitz, na Áustria, em 1805. E é lá que eles encontram a primeira personalidade histórica: Napoleão Bonaparte.

Então acontece um imprevisto e, o que era para ser apenas um exercício de observação, acaba virando história para o resto do filme: assim que a máquina do tempo abre um portal para os circuitos do tempo a fim de deixar o passado, uma explosão atira Napoleão em direção a eles e o imperador acaba viajando junto para 1988, o que seria o tempo presente do filme.

Depois de chegarem em casa, Rufus se despede de Bill e Ted deixando-os com a máquina do tempo. Então, vendo que Napoleão tinha voltado junto com eles – e o mais impressionante: sem alterar o espaço-tempo – os amigos resolvem fazer uma “coleta de informações” com outras figuras históricas, mas ao invés de apenas observarem eles as tiram do seu tempo para poderem fazer uma pesquisa mais refinada. Então Ted deixa seu irmão mais novo cuidando de Napoleão e se junta a Bill para “sequestrar” Billy the Kid, Sócrates, Freud, Beethoven, Joana d’Arc, Gengis Khan e Abraham Lincoln.

Como se não bastasse fazer todas essas interações sociais que, num filme mais elaborado, teria acabado com o mundo como conhecemos, os rapazes ainda vão para a Idade Média, onde encontram duas princesas que planejam fugir de um casamento arranjado pelo pai. Assim que são descobertos no castelo, Bill e Ted são mandados para a execução mas conseguem fugir deixando as princesas para trás.

Ao voltarem para 1988, as “celebridades” são conduzidas ao shopping da cidade para fazerem uma interação social, afinal o trabalho escolar de Bill e Ted se consistia em elaborar um argumento sobre como ícones importantes da história encarariam a atual cidade de San Dimas, cidade onde se passa o filme. Mas o que acontece quando uma galera do barulho vinda de outra época se junta num lugar público em um filme de comédia? Altas confusões, obviamente. Sendo assim, Joana d’Arc vai para uma aula de aeróbica; Gengis Khan destrói uma loja de artigos esportivos; Beethoven dá um show numa loja de instrumentos musicais; Billy the Kid, Sócrates e Freud tentam – de maneira frustrada – se darem bem com mulheres na praça de alimentação; e Lincoln é acusado de roubar o chapéu e a barba postiça de um estúdio fotográfico. Depois de instaurada a confusão, todo mundo acaba sendo preso.

Ver Sócrates chamando Freud de nerd: não tem preço.

Bill e Ted, mostrando pela primeira vez no filme inteiro possuirem algum resquício de inteligência, vão resgatar todo mundo na prisão usando uma pequena artimanha que só quem pode viajar no tempo consegue fazer: eles planejam voltar no tempo logo após o resgate para que a “versão do futuro” deles roube itens do passado para ajudá-los na execução da tarefa que está ocorrendo naquele momento. Resumindo: aqueles Bill e Ted que estão indo tirar os amigos da cadeia serão ajudados pelas suas próprias versões do futuro. É um conceito bem complicado de se explicar através de palavras, mas para tentar deixar a coisa mais fácil, eis um exemplo do que acontece nessa cena: os rapazes precisam abrir as celas onde seus amigos estão presos. Então eles pensam em voltar ao passado para roubar as chaves e esconder num lugar ali perto. Naquele exato momento, logo depois de terem planejado isso, eles vão ao lugar combinado e já chave já está lá, porque na verdade o roubo da chave já aconteceu! É genial!

Assim que o resgate acontece, todos correm para a escola por causa da apresentação do trabalho final de História, o que acaba virando uma grande atração que faz com que a dupla receba a nota máxima.

À noite, os dois amigos estão na garagem tentando vergonhosamente tocar suas guitarras enquanto se dão conta de que nada mudou para eles – ainda são dois adolescentes com o sonho distante de ter uma banda de rock. Nisso chega Rufus na máquina do tempo acompanhado das duas princesas da Idade Média, que conseguiram fugir do casamento, e explica aos dois que elas terão um papel importante na vida deles e do universo: no futuro, a música de Bill e Ted se tornará a base da sociedade, acabando com a guerra e alinhando os planetas (!), trazendo harmonia ao espaço.

Viram só porque tamanha preocupação em mandar um cara ao passado só pra ajudar dois adolescentes num trabalho de escola?

No mais, o filme é engraçado e divertido. Não é daqueles que você precisa desligar o cérebro antes de assistir, mesmo com a incrível má atuação de Keanu Reeves no início da carreira e todas suas caras e bocas que, por causa desse filme, deram origem ao meme Conspiracy Keanu.

Dois anos depois o filme teve uma continuação chamada “Bill & Ted – Dois Loucos no Tempo” (Bill & Ted’s Bogus Journey), mas não foi nada que superasse o primeiro filme.

[Esse texto foi publicado originalmente em 26 de junho de 2012.]

Anúncios