No mês passado dei uma pequena aula de economia para meus seguidores do twitter. Como todo usuário daquele site, me senti especialista em alguma coisa e resolvi fazer um favor à sociedade contando uma pequena desgraça pela qual eu passei por não ter sido enfático o bastante ao dizer “não” quando me ofereceram um cartão daquela loja de departamento cujo garoto-propaganda se chama Sebastian.

E Adam Smith que me perdoe se eu disse alguma merda mas, sejamos francos, se conselho fosse bom não era dado e sim vendido. E esse sou eu colocando chavões no meu texto. Minha professora de redação certamente odiaria esse parágrafo.

Tudo começou quando me mandaram um cartão extra (de crédito) pra minha casa, o qual obviamente eu não solicitei pelo fato de que eu tenho uma pequena filosofia de não usar cartão de crédito para absolutamente nada até que seja REALMENTE necessário. Junto com esse cartão veio um boleto para eu pagar sendo que eu nem desbloqueei o maldito.

E aqui começam os meus tweets publicados no dia 7 de maio:

Amanhã eu ligo no 0800 e tento cancelar essa bosta. Se não resolver e meu nome for pro SPC ou Serasa digo apenas o seguinte:

。☆。*。☆。
★。\|/。★
FODA-SE!
★。/|\。★
。☆。*。☆。

Assim, eu não podendo usar cartão de crédito, farei como sempre fiz: junto uma grana e compro minhas coisas SEMPRE à vista (até o dia em que eu comprar meu apartamento ou meu carro. Aí fodeu). Não tem nada melhor que juntar uma grana por mês, ir num lugar pra comprar alguma coisa e quando perguntarem “débito ou crédito?” você responder: DINHEIRO, SUA VADIA.

Ah, os pequenos prazeres da vida…

Mas é sério, as pessoas seriam muito mais endinheiradas (porque “ricas” é exagero) se fossem educadas financeiramente e soubesse segurar a onda. Por que diabos vou comprar uma parada HOJE no crédito me custando 150% o valor original, se eu posso simplesmente segurar a onda e juntar o valor necessário?

“Ah… mas se for assim a gente não compra nada!”, você irá dizer. Claro que compra! É só segurar sua onda.

Hoje eu vejo que meu pai sempre teve razão sobre as coisas, principalmente sobre dinheiro. Sorte minha que ele abriu uma conta no banco pra mim quando eu era pirralho e depositava minha mesada lá. Se ele tivesse me dado na mão aquele dinheiro eu nunca teria comprado nada além de Revista Recreio com ele.

Quando eu tinha 13/14 anos a gente morava numa cidade muito bosta. Nessa época eu estava desesperado querendo um celular novo que tirasse foto e tudo mais. Um dia viemos pra BH visitar uns tios meus e tal e passamos num shopping. Ele me levou numa loja de celular pra provar um outro ponto: pesquisa de preço é importante. O celular que eu queria tava uns 200 reais mais barato do que na nossa cidade. Naquele dia eu comprei um Nokia 7250i com o dinheiro que tinha juntado por um tempão. Foi uma das coisas mais caras que eu comprei até hoje.

E é isso! Esse foi meu pequeno relato escrito numa madrugada do mês passado. Hoje, oito anos depois dessa bela história estou juntando meu dinheiro – fruto do trabalho, não da mesada do meu pai – para comprar um computador novo.

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