A vida é como uma caixa de chocolates: se você é gordo, acaba mais depressa. A vida é uma caixinha de surpresas. Exatamente um mês atrás eu estava procurando um emprego que me pagasse qualquer quantia com a qual eu pudesse ao menos dizer “não estou mais abaixo da linha da miséria”.

Quando eu era menor de idade, sempre quis trabalhar. Seria uma forma de ganhar meu próprio dinheiro e parar de ser um vagabundo sustentado pelos pais. Aliás, tecnicamente ainda seria um vagabundo, pois como menor de idade, inevitavelmente eu dependeria deles para ter, no mínimo, um teto. (Fazendo uma pausa rápida aqui, se você coloca no Facebook que trabalha na “V.A.S.P – Vagabundo Assumido Sustentado pelos Pais”, você é um idiota. Pare com isso.)

Continuando a história, trabalhar sempre foi uma espécie de sonho interrompido diversas vezes por inúmeros fatores e que eu só conseguiria realizar de vez ao fazer 18 anos (note que o verbo “conseguir” está no futuro do pretério e não no pretérito perfeito como eu gostaria). Antes que você pense que eu nunca movi uma palha, saiba que quando eu tinha uns 13 anos já cheguei a sair de casa numa tarde de tédio para ajudar um amigo no emprego que ele tinha num mercadinho daqueles de bairro onde se vende desde “mortandela” até vassoura de piaçava. Não pedi o dono do lugar para eu ajudar nem nada, simplesmente comecei a arrastar umas caixas pra cima e pra baixo e quando eu vi já estava ficando de noite. Para evitar que eu os chamasse de caloteiros, o dono do estabelecimento me pagou com um daqueles saquinhos de doce de leite. Só que em vez de doce de leite era chocolate.

Chup-chup de chocolate
Desse aqui ó.

Além disso, também já fiz trabalhos voluntários e editei uns vídeos de graça para os outros. Cobrava vez ou outra mas na verdade isso nunca pôde ser chamado de emprego. Mas agora, a coisa mudou de figura: estou finalmente com minha carteira de trabalho assinada.

Tudo começou há mais ou menos um mês quando eu estava procurando um emprego, como eu disse no primeiro parágrafo desse texto que já está começando a ficar prolixo e redundante. Um dos meus colegas da faculdade me deu a dica de um site de empregos e estágios que, segundo ele, foi responsável pela contratação mais rápida da vida dele, numa empresa de telemarketing. No mesmo dia, voltei correndo para casa e me cadastrei no site e vi quais eram as ofertas de emprego/estágio que batiam com o currículo que eu tinha cadastrado lá.

Coincidentemente, a única oferta disponível no momento era numa financeira que oferecia vagas para “telemarketeiros”. Mandei um e-mail, me ligaram no mesmo dia para marcar a entrevista que eu viria a fazer dois dias depois. Na aula do dia seguinte, contei para esse meu colega que eu fui chamado. Para minha surpresa ele me respondeu que telemarketing era um emprego muito fodido e perguntou se eu não queria trabalhar na loja de roupas da qual ele iria se desligar no próximo fim de semana.

Perguntei sobre o salário e coisas relativas ao emprego e tudo me pareceu bem mais interessante que a vaga de telemarketing, assim como as vagas de estágio de jornalismo, diga-se de passagem. (Pra quem não sabe, eu faço jornalismo.) Ele me perguntou onde era minha entrevista e eu disse que era perto da loja em que ele trabalhava. Então ele me disse que poderia ligar para o gerente para que eu conversasse com ele naquele mesmo dia assim que eu saísse da entrevista na financeira.

Não deu outra. Fui na financeira, conversei com o cara que tinha me mandado o e-mail e tudo mais. Me saí bem, mas ele disse que teria que conversar com a supervisora dele e só assim poderia me dar a resposta. Fui embora e ao colocar o pé na rua liguei pra esse meu colega e falei:

“Aê, liga pro gerente lá que daqui 10 minutos eu chego na loja.”

Para resumir a história, que puta que pariu tá gigante pra cacete, fui contratado e estou trabalhando lá há três semanas.

E agora, chegou a hora que vocês esperavam: A MAIOR VERGONHA QUE EU PASSEI NOS ÚLTIMOS TEMPOS!

Ou melhor, deixarei para o próximo texto porque acho que vocês já se cansaram de ler isso aqui.

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