Depois de tanto tempo consegui um cafofo pra mim. Quem leu aquele post nostálgico do Google Street View sabe que eu me mudei pra caralho. Acontece que eu deixei de comentar que desde o início de 2010, quando eu passei no vestibular, eu me mudava a cada começo de semestre. Era uma merda.

Para quem não sabe, me mudei para uma pensão no inferno gelado de Diamantina/MG quando fui fazer Sistemas de Informação. Realmente era uma casa muito boa e até hoje eu não sei porque no semestre seguinte eu fundei uma república com mais três colegas do ensino médio – talvez fosse por causa daquela busca eterna pela independência, coisa que tempos depois descobri que não existe até que seus pais parem de pagar suas contas (meus pais ainda pagam as minhas então não entrarei no mérito da questão).

Seis meses depois, voltei para a pensão onde eu morava e só não continuei lá porque eu desisti do curso e saí da cidade. Fazendo um parêntese aqui, até hoje me perguntam se eu tô gostando de fazer jornalismo, num tom de voz como se dissessem “tu vai se arrepender de ter saído desse curso que paga salário inicial de 3000 reais e no final das contas você irá morar embaixo da ponte, seu otário”. Pro inferno esse povo iludido que acha que essa história de 3000 reais é verdade!

Então, antes de sair do curso eu fiquei sabendo pelo twitter (obrigado, Nina) que a PUC tava com inscrição do vestibular aberta. E mais: se eu quisesse jogar minha nota do ENEM de qualquer ano após 2008 e evitar qualquer tipo de prova (que com certeza eu teria me ferrado) eu poderia. Fantástico! Foi exatamente o que eu fiz e acabei sendo aprovado.

Depois de 3 semanas numa correria do caralho pra arranjar um lugar pra ficar em Belo Horizonte, acabei cometendo a loucura insana de ir para o primeiro lugar que eu achei: o já mencionado aqui apartamento de uma velha estranha, fofoqueira, preconceituosa e que procurava namorado no bate-papo do UOL (não é mentira, me lembrem de contar isso algum dia). Depois de contrair uma caxumba mental e ficar de saco cheio daquela porra toda, acabei saindo de lá – na verdade, fui tecnicamente expulso – e em fevereiro desse ano fui para a casa do meu tio, que fica do outro lado da cidade. Vale lembrar que para chegar na faculdade a partir do apartamento da velha, era só atravessar a rua.

Após um mês morando provisoriamente na casa do meu tio e tendo que pegar 2h de ônibus por dia, dormindo em TODAS as viagens, meu pai ~descolou~ uma hospedaria perto da faculdade. Muita gente vai dizer que eu sou um fresco que não aguenta 2h de ônibus, mas que se dane, deixa eu continuar minha história.

Então no dia 9 de abril, me mudei para o lugar onde pela primeira vez na vida eu posso dizer que é onde eu moro sozinho. Agora eu posso peidar o quão alto for e fumar quantas toras de maconha eu conseguir (brincadeira, gente, eu não faço isso, juro por Deus). Mas falando sério, agora eu posso chegar em casa no horário que for, gravar e editar os podcasts sem a encheção de saco de ninguém e fazer todas as coisas que eu queria.

Não é tão ruim quanto parece.

Mas digo uma coisa: não pense que morar sozinho é a MELHOR COISA DO MUNDO. Só estou empolgado porque eu gosto de sossego e não aguento ninguém me incomodando dentro da minha própria casa. Existem algumas “regras” que ainda precisam ser seguidas mesmo não havendo ninguém além de mim para forçar o cumprimento de todas elas como, por exemplo, deixar o quarto arrumado. O lugar onde estou morando se encaixa mais na descrição “suíte confortável” do que em “apartamento” propriamente dito. Como o espaço é limitado, não é mais do que minha obrigação mantê-lo arrumado num período mínimo de uma semana – a cada 7 dias vem uma mulher pra fazer uma faxina geral.

Como se não bastasse deixá-lo arrumado, é importante deixá-lo limpo e sem aquele cheiro peculiar de jaula. E quando digo “limpo” não quero dizer pra você comprar um frasco de Glade, afinal você acaba ficando acostumado com o cheiro daquilo por causa da acomodação sensorial e qualquer visita que você receba irá sentir imediatamente aquela murrinha de banheiro de motel barato.

Um método “interessante” – na falta de palavra melhor – para manter o cheiro padrão de um verdadeiro lar de seres humanos (ou seja, sem cheiro) é criar o – até então – estranho hábito de mijar sentado para evitar todo e qualquer respingo. Antes que me xinguem de viado-bicha tal como o Batman e o Robin foram xingados pelo Coringa naquele vídeo da Feira da Fruta , sugiro que vocês leiam um post sobre os benefícios da tal prática (link aqui). Sinceramente, se você quer viver com dignidade é preciso se submeter a coisas como essa. Agora, se você estiver na rua, no restaurante, no shopping ou na casa da sua mãe, faça em pé mesmo. (E se você for mulher continue fazendo sentada, pelamordedeus.)

E por último, mas não menos importante, não se esqueça de comprar comida. Ninguém além de você será responsável por mantê-lo vivo, então ao menos que você queira participar de uma situação como a da tirinha abaixo, sugiro que faça compras periódicas (às vezes, principalmente na hora do aperto, miojo e Subway também contam como alimento).

PS.: Quando sair de casa, sempre mantenha a chave do apartamento com você. Não se esqueça de que não terá ninguém para abrir a porta pelo lado de dentro.

PS².: criei uma fanpage no Facebook. Se você gostou desse texto e/ou gosta desse blog, curte lá.

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