Provavelmente esse é o milésimo oitavo post sobre minha vida escolar. O curioso é que nunca contei aqui como eu era DENTRO da sala de aula. Acredito que esse será o post favorito do Matheus, um dos únicos (senão o único) colega meu que ainda lê essas merdas que eu escrevo. Comenta aí depois, ô vendedor de rede! (Aos demais leitores, não explico piadas internas, então continue lendo.)

Lembram quando nerds eram seres impopulares, ignorados por todos, motivo de chacota da turma inteira, sem amigos e atendiam pela alcunha de CDF? E daqueles caras cujo único motivo das pessoas conversarem com eles para pedir cola, afinal tinham as maiores notas da sala? Pois bem, esse NÃO era eu.

Geralmente eu fazia parte do lado negro da sala. Ou “lado b”, como queiram. Não que os professores me odiassem por ser o aluno mais bagunceiro de todos, afinal isso eu nunca fui, mesmo que eu tenha tentado realizar algumas façanhas bem idiotas no último ano de escola. Meu maior problema era não saber calar a boca dentro da sala de aula.

Tudo começou em… ahn… não lembro exatamente. Deve ter sido na quinta-série, quando tirei minha primeira nota abaixo da média. Em geografia. Pois é.

Até aquele ano eu sempre tinha sido um aluno aplicado, que tentava se comportar em sala e que tinha sido expulso da sala no máximo duas vezes, sendo ambas as vezes injustamente. A primeira vez que isso me aconteceu foi na primeira-série, quando eu tinha sete anos e era novato na escola. Eu tinha me mudado recentemente de Montes Claros para Patos de Minas e desconhecia completamente essa experiência traumatizante que era de encarar a diretora da escola frente a frente.

(Pausa na história! Eu não acredito que esse dia chegou. Eu tenho a certeza plena que meus pais nunca souberam que eu fui para a diretoria logo nos primeiros meses de aula naquela escola. Agora, 13 anos depois, estou eu aqui contanto isso para quem quiser ler – inclusive eles. Eu sempre me imaginei com uns 50 anos de idade, morando numa mansão, quando num dia de tremenda coragem eu contaria isso. Anyway.)

Estávamos no recreio quando um dos meus colegas resolve roubar minha lancheira. Esse menino era uma das criaturas mais detestáveis que eu já conheci na escola. Felizmente eu já havia acabado de lanchar, mas isso não exclui o fato de que eu havia sido roubado. Então após passar algum tempo correndo, recupero minha lancheira e volto para minha aula. Minutos depois eu, o FDP ladrão de lancheira e mais duas pessoas somos chamados no meio da aula. Eu nem imaginava o que poderia ser. Ao chegar na diretoria, a mulher fala que nós quatro tínhamos acusações de outros alunos por mal comportamento. Perguntei qual foi a acusação e a resposta foi que eu estava cuspindo nas pessoas. QUE TIPO DE MACACO LAZARENTO ESCATOLOGISTA ESSA MULHER ACHAVA QUE EU ERA? Aliás, sabe quem gostava de ficar cuspindo nos outros? O ladrão de lancheiras.

Para minha sorte, o universo se incumbiu da minha vingança anos depois. Naquele dia eu apenas tive que assinar meu nome num caderno de registros de alunos que já estiveram presentes naquela “sala de tortura”. Aliás, muito malandramente assinei só o meu primeiro nome.

Onde estávamos mesmo? Ah, sim! Meu problema em manter o bico fechado durante as aulas. Depois daquela prova de geografia, nunca mais fui o mesmo. Quando você mancha seu histórico com uma simples nota vermelha, mesmo que ela represente apenas 0,003% de todas suas notas, você para de tentar ser o melhor aluno possível. A merda já tava feita, agora era só aproveitar. Ou não.

Algum tempo depois, me mudei de cidade novamente e fui para um vilarejo medieval uma cidadezinha chamada Papagaios. Lá eu tive uma professora de matemática que era a simpatia em pessoa (só que ao contrário). Ela era tão simpática que merecia um prêmio à sua altura.

UMA INCRÍVEL COMUNIDADE NO ORKUT!

Pelo que eu me lembro, existia um tópico nessa comunidade chamado “A Lurdinha escrevia meu nome no quadro todo dia”. Obviamente, havia menções ao meu nome no tópico, afinal eu não parava quieto um minuto na aula dela. Nem das demais professoras, diga-se de passagem.

Anos a frente, na oitava-série (o ano mais avacalhado da minha vida estudantil), a situação piorou um pouco pro meu lado. Conheci muitas pessoas malucas naquela escola – algumas das quais eu tenho contato até hoje – e como consequencia, minha taxa de expulsões de sala de aula aumentou assustadoramente. Por falar em “consequencia”, lembro-me muito bem de um dia em que o Matheus, fiel leitor desse humilde blog, escreveu “quosequesias” em uma das questões da nossa apostila. Aliás, lembro também quando ele escreveu que o motivo para a Revolta dos Malês foi a vitória de 4 a 0 do Cruzeiro sobre o Atlético e, mesmo assim, ganhou um OK da professora. Tudo bem que era uma professora substituta mas, porra, custava fingir interesse pelos alunos durante míseros 50 minutos de aula?

Todas essas situações eram motivos de risadas infinitas e mais conversa durante a aula. Quando algum professor se irritava, nos mandava para a diretoria. E sabe o que era mais engraçado quando eu era mandado pra lá durante a oitava-série? O diretor era muito gente fina e ao invés de aplicar um daqueles sermões manjados ele ficava discutindo coisas como “Por que você criou um tópico no orkut pedindo a volta do seu ex-professor de história? Não tá gostando da professora nova?”. A resposta era óbvia. (Aliás, essa mulher me deve um disquete com meus slides sobre a Guerra de Canudos até hoje. Vadia.)

Outra coisa divertida que fazíamos era a clássica guerrinha de papel. Porém, eu pensava fora da caixa e ia recolhendo todas as bolinhas que voavam na minha direção. Quando ninguém esperava, eu jogava tudo pra cima e fazia nevar momentaneamente. Era lindo. E sabe o que aconteceu comigo durante esses momentos de bagunça e rebeldia? Nada. Agora, se eu experimentasse abrir a boca…

O curioso é que na maioria das vezes em que eu era convidado a me retirar da sala, eu ia sozinho. Sempre tentei argumentar contra, “afinal eu não estava conversando com a parede então porque não tinha mais gente se ferrando junto comigo?” mas parece que os professores preferiam me mandar calar a boca ao invés de conversar.

Ah, antes que eu me esqueça, correm boatos desde aquela época de que eu não só conversava com as paredes, mas também contava piadas para elas. Tudo calúnia e difamação.

Felizmente eu já estou na faculdade e essa coisa de ser retirado da sala por conversa já não acontece mais comigo. Ah não, péra!

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