A maioria de vocês deve saber que, dias atrás no CQC, o comediante Rafinha Bastos fez uma certa piada sobre a Wanessa Camargo. Caso você não saiba, passe menos tempo jogando Colheita Feliz e vá ler algo de útil na internet que, aliás, foi como eu descobri sobre o caso porque não assisto televisão há algum tempo.

Semana passada, a revista Veja SP publicou uma matéria sobre o caso. Recomendo que você a leia antes de prosseguir com esse post.

Eis aqui, então, minha opinião sobre o caso:

Rafinha Bastos é o alvo da vez. Tachado de “sem escrúpulos” por causa do seu humor negro, vem se tornando o grande vilão dos meios de comunicação. Alguns o acusam de fazer piadas anti-éticas e sem graça, o que pode até ser verdade mas, como gosto não se discute, não tocarei nesse ponto.
Acontece que o brasileiro-comum é um povo que se ofende muito facilmente. Parecemos um grupo de crianças que não sabem brincar: quando fazemos uma piada com alguém, soa engraçado; mas se o outro nos usa como base para suas brincadeiras é completamente ofensivo. E isso não ocorre há pouco tempo. Lembram-se daquele episódio de “Os Simpsons”, lançado em 2002, em que a família vem para o Brasil e se depara com favelas, ratos, macacos, taxistas sequestradores e programas infantis com apresentadoras trajando roupas provocantes? Pois é, a Fox (produtora do desenho) chegou a ser ameaçada legalmente pelo conselho de turismo do Rio de Janeiro. E tudo por causa de uma piada.
Nós somos uma população que tem seu senso de humor baseado em programas de piadas repetitivas e personagens estereotipados como o Zorra Total, por isso quando alguém tenta tirar o espectador da sua zona de conforto, acaba não obtendo a reação esperada. Quando o Marcos Mion fez seu comentário tão “polêmico” sobre a Nany People, o humorista transexual achou graça, mas aí uma ONG viu homofobia onde não tinha e resolveu abrir um processo.
O que esses humoristas fazem hoje em dia pode ser tudo, menos baixaria. Talvez o Pânico na TV até o faça, mas esse é um outro tópico. Baixaria na verdade é você ligar a televisão num sábado a tarde e dar de cara com uma mulher (ou até mais de uma) usando microssaia, rebolando em cima das lentes das câmeras e cantando músicas verdadeiramente chulas e incondizentes com a classificação etária do programa.
Infelizmente o Brasil ainda não está preparado para uma vertente mais sarcástica do humor. Apresentações como as de George Carlin ou programas como o Roast of Charlie Sheen não funcionariam aqui. Não enquanto nossa mentalidade ainda estiver presa a falsos valores morais, o que é um absurdo num país onde as pessoas elegem analfabetos e permanecem inertes frente às verdadeiras baixarias do Congresso.
Não quero isentar os comediantes pelos seus possíveis erros, mas se tem alguém que deve reclamar e/ou acionar a justiça, esse seria o alvo da piada. E mais ninguém.

Bom, essa foi minha opinião. Ela não foi publicada na Veja e eu desconfio (alô, recursos humanos, não tô acusando ninguém) que seja porque ela foi totalmente divergente da matéria. Lendo os e-mails publicados (clique aqui para ler também), notei que só tinha gente fazendo mais mimimi sobre o caso.

Por isso resolvi publicar minha opinião nesse blog.

Sem mais.

Anúncios