Rolou um tempo atrás no tuíter, uma discussão interessante comandada pelo grande @Cardoso a respeito das diversas tecnologias e apetrechos gadgeticos que aparecem em diversas obras de ficção.

Tudo começou com o seguinte tweet:

Se no futuro do “Eu, Robô” existisse celular com câmera seria bem mais simples acreditarem no Wil Smith.


Pra quem não conhece o filme, vou explicar: a história se passa em 2035, uma época em que ter robôs em casa ou no trabalho é algo corriqueiro. Todos eles são regidos pelas três leis da robótica, que os fazem meras máquinas obedientes ou invés de humanóides capazes de destruírem o mundo. Bom, nem todos.

A trama principal do filme é quando aparece um cientista morto e o personagem de Will Smith descobre que o culpado foi um robô, porém ninguém acredita nele pois, como eu disse, robôs são meras máquinas obedientes.

Acontece que, se esse mundo futurista fosse hoje, bastaria tirar o iphone do bolso e fotografar (ou até mesmo filmar) o robô tendo ações próprias. Pronto, caso encerrado.

Continuando o pensamento do Cardoso…

Histórias são definidas pela tecnología da época, mas ficção complica, um detalhe e o filme fica muito datado. Exemplo: LCD. Todo filme que mostrava futuro com monitores CRT está imediatamente datado, com ar de coisa velha.

Isso acontece basicamente por dois fatores:
1- Sempre que vão fazer uma produção do gênero, imaginam a tecnologia da história da forma mais exagerada e – até então – inalcançável: carros voadores, teletransporte, telefones com holograma, computadores estilo Minority Report, etc. Eu nunca soube de um filme da década de 80 ou 90 que mostrasse um produto simples e futurista, como um celular com internet. Sempre imaginam algo que está muito no futuro.
2- Mesmo se os produtores pudessem imaginar tal coisa, eles não conseguem prever como será essa evolução. Então mesmo que seja estranho ver computadores do Século XXV com monitores CRT (o famoso “tubão”), ainda é plausível afinal o filme foi feito no Século XX.

Cena da sexta temporada de How I Met Your Mother

Futurama tem mais de 10 anos e não é datado, mesmo tendo surgido antes do iPod.

O que ajuda bastante nesse caso é que por ser uma série animada, os desenhistas podem ir adaptando a tecnologia mostrada conforme a evolução vai se dando. Quando mais velha a série, mais bem ajustada ao futuro real ela fica.

A grande problemática dessas produções é tentar explicar a tecnologia mostrada. Dificilmente você vê um filme que não tem alguém dizendo “O equipamento X só foi possível porque alguém fez Y”. A forma se repete over and over and over (Eu, Robô; Minority Report; O Homem Bicentenário).

Star Wars não é datado pelo distanciamento E por não tentar explicar a tecnologia. Em Star Trek a memória dos computadores é em KiloQuads. O produtor que criou deixou claro: NÃO DEFINIR, pq em 6 meses ficará obsoleto. Assim você tem uma unidade que pode ser usada para fins dramáticos, mas não será piada em 5 ou 10 anos.

Estratégia simples essa última. “Vamos criar uma medida que não existe no mundo real pra que daqui um tempo ela não pareça uma merda”. Menos é mais.

Continuando a explicação de filmes futuro-alienígenas:

Dramaticamente é ruim criar um ambiente alienígena demais, o espectador não consegue se conectar, não sabe sequer o que o herói está fazendo. Daí o recurso do personagem de fora, que faz as perguntas e é instruído pelos outros. É bem comum. Um ambiente muito alienígena é ótimo pra situar a história, mas toda ela nele se torna um porre. Imaginem um filme passado em Krypton, com um monte de gente enfiando cristal em buracos. Zzzzzz… Imaginem Avatar do ponto de vista dos Na´Vi, sem o Jake para ouvir as explicações de como o mundo funciona.

E mais: o Cardoso ainda explica algo que pode parecer óbvio mas não é:

Exemplo: Em Inception a novata passa por um curso sobre a tecnologia. Aquele curso é pra nós.

Depois ele continua:

Aí depois do final do Eu Robô rola uma pausa de 10 anos e temos Matrix. Falei pra reciclarem os bichos. Interessante reparar que existe “regras universais” em cinema. Não são clichês, mas convenções que todo mundo usa.

Sem mais. Espero que tenho aprendido algo.

Anúncios