Eis que eu volto a escrever nesse blog.

Na última sexta-feira saiu o Nerdcast 251, uma edição especial do podcast onde os participantes jogam RPG, ao invés de apenas comentar suas partidas, como já aconteceu antes.

Não sei se foi a edição, os efeitos sonoros ou o jogo em si, mas eu achei o tal do RPG a coisa mais do caralho EVER! Nunca tive a mínima curiosidade sobre o jogo e sequer abri a página da wikipédia pra aprender os conceitos básicos, mas agora é diferente.

Pois bem, cá estou eu querendo jogar RPG com alguém mas vejo que será praticamente impossível, igual outras coisas que citarei logo mais. Só pra esclarecer, o RPG que eu quero jogar é o de mesa e não aqueles on-line que fazem as pessoas patéticas deixarem de comer ou ir ao banheiro porque estão no meio de uma quest.

Antes de começar, devo dizer que, dentre todos os tipos de pessoas que não gostam do lugar onde vivem, os que se destacam mais são:

a) Gadget lover brasileiro, porque tudo quanto é tipo de tecnologia que entra no nosso belo país tem que custar a alma do consumidor e;

b) Nerd de cidade pequena, categoria na qual me encaixo e cujos motivos são tantos que os citarei em forma de tópicos.

Bom, vamos começar com o básico.

1) Cidade pequena não tem cinema.

Como alguns de vocês sabem, minha cidade não tem cinema. Sim, é uma merda. Nerd de verdade quer assistir seus tão aguardados filmes na semana da estreia (quiçá na pré-estreia). Pense bem: filme já demora uma eternidade pra sair no Brasil, aí quando sai, você é obrigado é se deslocar de cidade pra assistir, sei lá, Avatar. Sem contar que filme em 3D custa mais caro, fazendo essa brincadeira de final de semana custar no mínimo uns 60 reais.

Mas vamos supor que você não vá ao cinema e também não queira baixar o filme, porque além de sua internet ser um lixo (item número 2), a imagem foi filmada no cinema por uma criança descoordenada usando uma TekPix da primeira geração. Nesse caso, você não pode nem chegar perto do computador, principalmente sites de cinema ou twitter, por causa dos spoilers* que você eventualmente receberá.

2) Internet ruim

Empresas de internet geralmente oferecem planos proporcionais ao tamanho da cidade e inversamente proporcionais ao preço que cobram por determinado plano. Por exemplo, enquanto numa cidade grande você pode ter 15MB de internet por oitenta reais, numa cidade pequena o máximo que você conseguirá obter pelo mesmo preço será um plano de 1 mega ou 2. E olhe lá!

3) Grandes eventos? Esquece.

Se por “grandes eventos” você entende “shows de axé e sertanejo universitário” não sei nem o que cê tá fazendo nesse blog. Aliás, geralmente é só esse tipo de coisa em que cidade pequena investe. Palestras legais, shows de rock, BlogCamp, Video Games Live e Campus Party são coisas totalmente fora dessa realidade. Se você não tiver dinheiro sobrando pra viajar e fazer todas essas coisas (tipo eu), sinto muito mesmo.

Por falar em viajar, no final do ano passado uma amiga minha deixou de ir na própria formatura pra ir na noite de autógrafos do Eduardo Spohr (autor de “A Batalha do Apocalipse”) em Belo Horizonte. Essa é das minhas. XD

4) Falta de livrarias

Nerd que é nerd gosta de ler, não importa o que. Foi no final do ensino médio que eu resolvi gastar um pouco do meu dinheiro com literatura, porém foi nessa época também que a única livraria da minha cidade fechou. Foi triste, mas consegui contornar a situação graças aos descontos que o Submarino ofereceu no fim no ano passado, apesar de que não é a mesma coisa que estar num ambiente rodeado de livros e folheá-los por horas. (Esse final ficou meio gay.)

A situação também complica se você morar longe das sedes dessas lojas virtuais, porque o frete não é nem um pouco barato.

5) Ter poucos ou nenhum amigo nerd IRL (in real life)

Li uma vez num tópico do orkut a seguinte frase: “Nerd isolado é uma merda”. Essa é a mais pura verdade e o principal motivo que faz um nerd odiar cidade pequena. Você quase não tem com quem compartilhar gostos em comum: filmes, séries, novidades, babaquices da interwebs, podcasts e nerdices em geral.

Lembrei agora das conversas que eu tive com o pessoal do ônibus na ida pra Campus Party em janeiro. Toda hora alguém soltava um trocadilho ou uma piadinha do meio interwébico e quase todo mundo ria. Se fosse em outro lugar, todos olhariam pro autor da piada com cara de “que porra é essa que esse cara tá falando?”.

Além disso, por morar numa mini-cidade, você quase não tem com quem jogar RPG. :(

Compartilhe esse texto com seus amigos e conhecidos. Quem sabe assim a gente não promove mais encontros do tipo, envolvendo jogatina RPGística, álcool e strip poker com azamigas.

* Spoilers são informações relevantes de um enredo, o que pode tirar toda a graça de um filme.

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