Essa é a história sobre como eu e mais dois amigos resolvemos voltar da faculdade de um jeito diferente. Para quem não sabe, a nossa faculdade ficava há 7km do centro da cidade e, para agravar a situação ela ficava numa montanha! Aliás, morávamos numa cidade montanhosa mas a diferença de altitude entre a faculdade e a nossa casa é de 120m. Daí vocês imaginam a merda…

Originalmente a ideia era voltarmos na quinta-feira, somente eu e um outro colega (que morava na mesma pensão que eu), mas o frio estava tão insuportável e a fome tão grande que resolvemos deixar para fazer isso na sexta-feira.

Chegamos na faculdade e jogamos a ideia na roda para os outros colegas: “vamos voltar à pé, quem anima?”. Aparentemente éramos dois idiotas que sentiriam frio e correriam um grande risco de sermos atropelados, então ninguém respondeu.

Assistimos nossas duas aulas de Fundamentos de Sistemas de Informação e, na hora de irmos embora, um terceiro colega perguntou se estávamos realmente indo embora à pé. Sim, estávamos. E lá fomos nós andando rumo ao portão da faculdade ao encontro da BR-367.

Adendo: esse terceiro colega que resolveu se juntar a nós se chama Marcos e já tinha estudado comigo na sétima e na oitava série. Um fato engraçado é que ele foi o primeiro de nós três a abandonar o curso, mas essa é uma outra história.

Antes de continuar, gostaria de explanar os motivos de porque fazer essa maluquice na sexta seria muito melhor:
1- Só me lembrei de pegar o material necessário para enfrentar o frio antártico da cidade na sexta-feira, o que incluia um par de luvas e um gorro.
2- Na sexta, eu iria jantar antes de ir pra faculdade, de forma que não estaria faminto no final da aula e consequentemente com preguiça de voltar à pé.
3- A aula de sexta terminava mais cedo (às 21h), dessa forma nos sentíamos mais seguros pois, sabe-se lá porque, o risco de sermos estuprados por macacos seria menor.

Voltando ao assunto, chegamos na BR e começamos a andar meio descrentes de que aquilo iria dar certo. Depois de cinco minutos de caminhada, uma caminhonete pára a alguns metros à nossa frente e sai um cara dizendo que se a gente quisesse poderia ir na parte de atrás, tal qual um trio de mexicanos desesperados para entrarem nos Estados Unidos de forma ilícita. Então o Igor (o que morava na pensão comigo) respondeu que a gente estava fazendo uma “experiência” e então a caminhonete seguiu estrada abaixo. O mais engraçado é que nunca na história desse país as pessoas que vão de carro pra faculdade NUNCA oferecem carona pros estudantes pobres que são obrigados a voltar de ônibus – ou seja, nós.

Depois de andarmos muito e para caralho, chegamos ao primeiro contorno/anel/balão e ficamos na dúvida sobre qual direção seguir. A gente só sabia que tinha que chegar num posto de gasolina mais à frente. Vi uma placa onde estava escrito o nome da cidade e uma seta pra esquerda desenhada.

“Vamos pra esquerda então”, eu falei.
“Acho que o ônibus vai reto.”, disse o Marcos.
“Ué, já que o Danilo tem certeza que é pra esquerda eu nem vou pedir informação praquele pessoal ali não”, falou o Igor.

Continuamos andando numa estrada mega estreita: de um lado, um barranco prestes a cair na nossa cabeça; do outro, um precipício separado da estrada somente por uma cerca de arame farpado (!). Depois de certo tempo, vimos que não tinha posto de gasolina nenhum por perto e chegamos à conclusão de que tínhamos ido não pelo caminho errado, mas por um caminho diferente. Mais à frente chegamos num ponto onde não sabíamos se deveríamos subir ou descer a rua. Descemos.

E nos fodemos.

Chegamos tão longe que quando perguntamos pra um rapaz se o nosso bairro estava longe ele respondeu “longe pra caralho”. Ele disse que na próxima direita nós deveríamos subir a rua até não poder mais, e que assim chegaríamos ao nosso destino. Andamos mais um pouco e nos demos conta que já estávamos no centro da cidade.

Andamos mais um pouco, passamos pelo Campus I da faculdade e mais à frente nos separamos: o Marcos foi pra casa e nós voltamos para a pensão.

Vendo que nos saímos bem nessa “experiência”, resolvemos tentar fazer isso novamente toda sexta-feira. O plano só deu certo por mais uma semana e nunca mais fizemos isso de novo.

PS.: Clicando aqui, você pode ver o trajeto que nós fizemos para chegar em casa e qual o trajeto certo, percorrido pelo ônibus.

PPS.: O texto foi levemente alterado no dia 14/07/2011, quando todos nós já havíamos largado a faculdade.

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