Conversando um pouco com uma amiga no MSN sobre a formatura dela no final desse ano, chegamos ao ponto de ela me chamar pra festa, mesmo sendo em outra cidade. O problema é que eu moro a 180km de distância dela e, daqui 40 dias, essa distância aumentará mais 125km, devido a minha mudança de cidade em função da minha faculdade.

Tipo mais comum de líder de classe.

Tudo que eu disse até agora foi só encher linguiça afinal esse texto é sobre porquê as pessoas devem ser líderes de classe e/ou membros da comissão de formatura. Particularmente, não me lembro dessa coisa de líder de classe funcionar de forma satisfatória. Na primeira semana de aula, o(a) CDF da sala era eleito(a), o direitor passava dois ou três avisos a ele durante todo o ano letivo e nada mais do que isso. Sendo assim, quando eu disser “membros da comissão de formatura” entenda você, que posso estar me referindo a qualquer uma dessas duas corjas.

Bom, ano passado foi o último ano da escola e como havia de ser, foi criada a comissão de formatura. Tudo bem se não tivesse acontecido certas coisas que fugiram um pouco da linha. Se algum de vocês foi da comissão da minha sala e está lendo isso, não fique puto(a), afinal tudo isso que estou escrevendo já foi dito por mim em alto e bom som e sempre, ou pelo menos na maioria das vezes, que uma ideia minha não era ouvida a turma toda se fodia, especialmente vocês membros da comissão. E mais: o ano letivo já acabou faz tempo então vê se não se ofende.

“Ué! Se o ano letivo já acabou, por que então você fica se lamuriando até hoje então?”, você irá perguntar.

Pra começar, não estou me lamuriando, porque realmente quando minhas ideias não eram aproveitadas a turma inteira se fodia, inclusive eu. Depois, esse texto é um conselho para meus amigos, então se você é um chato que tem preguiça de ler textos grandes, já se formou e não quer saber como se dar bem e ter uma formatura no mínimo decente leia as três últimas palavras desse texto e saia da página, não necessariamente nessa ordem.

Esse lenga-lenga todo que vocês leram até agora foi apenas uma analogia de quão agil eram as atitudes da nossa comissão. Pra começar, a eleição dos membros foi feita na segunda semana de aula e, entre os que votaram, estavam os alunos novatos (que não eram poucos). Esses por sua vez, votavam nos que já tinham recebido mais votos ou então nas mais gostosas da classe. Se você está pensando em começar uma eleição justa tire o direito de voto dos novatos. Não por discriminação por esses seres que não tem culpa de serem apenas estranhos no ninho, mas por uma simples lógica racional.

Falando em eleição e aproveitando esse espaço pra escrever o que eu já tenho procrastinado há muito tempo, eu não fui eleito membro da comissão por um simples detalhe: no dia da votação eu tinha ido ao dentista o que pode ser considerado problema de saúde, ou seja, um bom motivo para reconsiderarem a votação. Whatever. Mas aqui fica minha dúvida: porque a votação não poderia ser feita nos últimos 10 minutos de aula? Ao invés disso tivemos que sair de casa debaixo de um sol escaldante pra falar cinco nomes e depois disso, voltar pra casa de novo.

Depois disso, vieram mais problemas como, por exemplo, nossa camiseta que não tinha ficado pronta até o meio de agosto. Fizemos incontáveis reuniões só pra falar dessa bosta. A última delas seria cômica se não fosse trágica. Chegamos a um ponto em que a cor, a frase e o modelo eram escolhidos de maneira separada. Analogamente, seria como se você batesse no liquidificador um sorvete, batatas fritas, arroz com feijão e Coca-Cola pra montar sua refeição perfeita (não que essa seja a minha). Só porque são coisas boas não quer dizer que combinem ao ficarem juntas. Quase no fim das contas ficamos entre três modelos: uma camiseta normal, uma camisa pólo roxa com uma frase bordada nas costas (que certamente deixaria a camiseta enrugada) e uma camiseta no estilo de uniforme de jogador de futebol, só com o número e o nome do aluno. Ficamos a contragosto com a camisa pólo roxa, que mais tarde foi trocada por uma cinza (o que não melhorou muito a cagada que já estava feita). Quando chegou a hora da frase ser escolhida, mais confusão pela frente. De antemão, eu já havia selecionado algumas frases para a camiseta e uma delas fora escolhida de cara: “O mundo precisa de mais gênios humildes. Hoje em dia somos poucos”. Uma outra colega minha (Ana Gabriela) também tinha feito sua listinha de frases e já estava pronta para mostrá-la à comissão. Coincidentemente, eu já tinha vivido tal situação com essa mesma colega há três anos, na oitava série. Fomos os únicos a apresentar propostas para a frase da camiseta. O mais estranho é que a comissão (entenda “a líder da comissão”) simplesmente passou os olhos nas frases da Gabriela e não escolheu nenhuma para entrar na “disputa” com a minha. Depois de mais e mais discussões, a comissão chegou lá na frente da sala e disse que nenhuma das frases fora escolhida, nem mesmo a minha dos gênios humildes. Então, partimos pra mais uma votação e, no fim, a frase escolhida foi uma que nosso coordenador sempre dizia: “A humildade é o último grau da sabedoria”.

Jogo dos 7 erros
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Mudando de assunto, tivemos a nossa viagem. “Tivemos” não porque eu não fui, não esqueça que eu sou pobre. Mas antes disso, rolou alguns milhões de discussões antes de serem decididas coisas como data e destino. Se eu tivesse registrado minha proposta (que foi feita em janeiro, antes de as aulas começarem) de irem para Águas de Santa Bárbara, eu estaria mais feliz mesmo não tendo viajado. Um dia, quando nos reunimos na casa de um dos colegas durante as férias, tocamos no assunto de “como o terceiro ano seria legal” e “vamos viajar pra um lugar bacana”. Eu, na minha humilde insignificância disse: “Vamos para Santa Bárbara”. “NÃÃÃÃÃOOOO… É MUITO CARO!”, gritou uma infeliz que não vou dizer o nome. Então, entre os meses de fevereiro e setembro foram discutidas infinitas possibilidades até que, depois que até eu tinha decidido cancelar minha própria formatura, chegaram a conclusão de um destino agradável: Santa Bárbara! Data: semana do recesso de outubro.

Mensalidades, prendas e multas: deixei o tópico mais infeliz pro final, apesar de ter sido o primeiro causador de discórdia no ano passado. As prendas eram as mais bizarras possíveis como, por exemplo, ir vestido de algo que você seria caso sua vida não desse certo (foto acima). Tá, prendas são sempre a mesma merda, mas a comissão estipulava coisas absurdas tais como uma multa de R$4,00 por prenda pra quem não participasse. Ou você pagava ou tava fora da formatura. Era isso, não havia conversa, a comissão só impunha e você deveria aceitar. E não era só isso, havia casos em que você se empenhava ao máximo para ir caracterizado e a comissão só queria saber do seu dinheiro. Foi o que aconteceu comigo quando a prenda era ir vestido de hippie. Como eles não aceitaram minha pseudo-roupa de hippie, saí da formatura sem choro nem vela. Além disso tudo, ainda tinha o “contrato” que era uma beleza: tinha imposições umas em cima das outras, os membros da comissão praticamente pagariam 75% a menos do que o resto da turma, e de quebra nem era um contrato válido que poderia ser registrado em cartório (não tinha nome do contratante nem número de documento). O meu acabou servindo como substituto de papel higiênico.

Se me lembro bem, foram “só” esses os perrengues que passamos na escola no ano de 2009 em relação à formatura. E agora, meu conselho: seja da comissão, afinal entre ser um filho da puta que só quer pegar o dinheiro dos outros e ser um babaca que fica soltando dinheiro que nem sabe pra onde vai, prefira a primeira opção. É mais ou menos como a política.

Esse é você, se escolher a segunda opção.

E se você não gostou do que leu, vá se foder.

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