Hoje foi um dia fora do comum na minha escola. Existe uma tradição milenar (criada no ano passado) que incita os alunos do terceiro ano a se esbaldarem em tinta guache no último dia de aula. Obviamente alunos de outras salas, professores e paredes não conseguem ficar intactos (pelo menos não no ano passado).

auladequímica
Meu professor de química, após brincadeira “milenar”.

Porém, esse ano as coisas “perderam o descontrole”, como diria um professor meu (não esse da foto acima). Pra começar, nosso ano letivo acaba só no dia 14 de novembro (bem antes da maioria das escolas particulares) mas como hoje foi o último dia em que TODA a turma estaria reunida – teoricamente, já que faltaram duas pessoas –, resolveram (note que eu estou me abstendo) antecipar a bagunça. Além disso, ninguém teve a brilhante ideia de pedir permissão para realizar tamanha balbúrdia.

Pois então. A balbúrdia aconteceu no segundo recreio (na verdade é um intervalo de quinze minutos às 10h45 da manhã) e, desde que o sinal bateu, eu já estava no segundo andar do colégio, correndo da confusão. Fui acolhido como um soldado ferido pelos meus amigos do 2º ano, mas infelizmente fui delatado por um amigo-da-onça. Por sorte, todo mundo se distraiu quando estouraram uma bomba (daquelas que você encontra em qualquer armazém de Seu Zé) perto da piscina. Com a explosão, o coordenador (que vou chamar de Sr. K, apesar da pouca idade) e o dono da escola (que vou chamar de Sr. M, por respeito mesmo) rapidamente reuniram todo o 3º ano para dar o maior esporro que qualquer aluno de lá já tenha presenciado.

Nessa hora, eu ainda estava no segundo andar, e quando vi todos entrando na sala de aula, resolvi descer as escadas para receber uma bronca que não era para mim. Quando cheguei na sala, me deparei com a nova decoração: manchas de tinta pelo chão, nas paredes, no quadro e nas cadeiras. Além disso, eu era um dos dois alunos que não tinha sequer uma mancha de tinta no corpo. Sentei onde tinha ficado a manhã inteira: ao lado da porta, a MINHA saída de emergência. Olhei atrás da porta e lá estava minha mochila, exatamente onde eu a tinha deixado. Intacta. Suspirei aliviado. Peguei um pote de tinta preta pra me distrair enquanto o resto da classe tomava esporro e escrevi FUCK no braço. Foi então que ouvi o Sr. M falando sobre arcarmos com as despesas de pintura e/ou limpeza do colégio, além de as duas última aulas serem suspensas.

Se eu não tivesse tão distraído com a tinta (e com medo de receber uma chuva de vaias), teria falado que eu não tinha participado de tal putaria, mas felizmente alguém menos distraído – entenda “mais corajoso” – falou em meu lugar. Com isso, o Sr. K chegou a uma conclusão:
-Quem comprou tinta, favor me acompanhar até a minha sala.

O problema é que a sala dele tem 2m x 3m (contando com a mesa e a estante, que já ocupam um espaço considerável) e, dos 44 alunos que foram na aula, 34 compraram a merda do guache. Para não ter que comprimir aquele monte de gente numa salinha de nada, a “reuniãozinha” foi na porta da sala da coordenação. Foi uma cena engraçada até, principalmente porque tinha gente até na escada.

Escola
Sala da coordenação (porta da direita, no segundo andar) e escada para o “inferno” que, ironicamente, era no andar de cima.

 

No fim das contas, nós fomos liberados mais cedo e eu fui cortar cabelo, que já estava precisando. De noite, fomos fazer prova e eu saí com alguns amigos do 2º ano, pra falar bobagem e coisas subversivas. Mas essa é uma outra história.

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